terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Precisa ter sentido?


Não foi nenhum filósofo que me contou, eu sempre percebi a vida como uma incessante busca da humanidade por prazer. Antes as pessoas trabalhavam para comer e agora trabalham para ganhar dinheiro para comer, morar, se divertir, vestir, ter atendimento médico e comprar coisas para provar que são melhores que as outras.

O que me intriga é pensar qual o prazer maior nisso tudo. Será que todo mundo acha um sentido para a vida? Ou o sentido em si são os momentos de pequenos prazeres que parecem tão bons exatamente porque são minoria na rotina?

Abraçar o cachorro, morder algo que derrete na boca, respirar fundo na praia, dormir ao lado de quem se ama. Rir com os amigos, sentir a felicidade boba dos sentidos, de receber uma boa notícia ou de descobrir algo que eu não tinha reparado antes. É, me parece suficiente.

Mas às vezes eu sinto que tem algo maior para ser descoberto. Como se a vida fosse reservada para uma interpretação mais profunda do que tudo isso. E não falo do ponto de vista religioso, é racional mesmo, como se houvesse uma grande verdade esperando para ser descoberta ali na próxima curva.

E com toda essa vida tão rápida e tanta informação e tanta mudança, acho que vivemos uma grande ilusão enquanto corremos atrás da bolinha como cachorros. No final, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Minhas impressões sobre Buenos Aires

Buenos Aires é, antes de tudo, surpreendente. Uma cidade onde a arquitetura lembra a Europa, mas os passarinhos cantam como no Brasil, há as mesmas frutas nas quitandas e as mesmas árvores nas ruas.


E a história ferve, recente, debaixo de nossos olhos. As principais avenidas tem nomes como libertador, defesa, independência, conquista... seus paralelepípedos resistentes como sua gente latina.


O que vai ficar na memória para mim não é a comida ou o tango. É o seu jeito organizado, tão urbano e cheio de verde. Os senhores muito elegantes, de terno de linho e chapéu Panamá que se sentam à tarde nos cafés. Os cachorros enormes andando sem coleira ao lado de seus donos, como se soubessem que esse é um povo que deve ser respeitado. Vou lembrar que na livraria a seção de política tem mais destaque que a de auto-ajuda.


Minha experiência foi a de um romance moral onde a arte pulsa como luzes de Natal, na arquitetura, nas inúmeras esculturas em via pública, na música da rua. Onde os monumentos para os mortos parecem celebrar a vida.


Viagem deliciosa e aguda como o gosto do seu vinho. Urgente como seu vento do Sul. Iluminada como o olhar de seus filhos. Espero que 2012 abençoe a terra do sol orgulhoso.